Serviço de streaming musical do YouTube (continuação)

Belo artigo que resume de forma eficiente todo o pandemónio de notícias contraditórias sobre a suposta querela entre o YouTube e algumas editoras independentes (que representarão 10% do mercado) relativamente aos termos de subscrição do futuro serviço de streaming (video?)musical do portal. Destaque para o facto de o autor do artigo se queixar da ambiguidade da nomenclatura utilizada pelas diferentes fontes, isto é, de não ser nada claro do que se está a falar quando se fala em “streaming musical”. Isto inclui os vídeos musicais ou não? Parece-me evidente (e preocupante) que sim – um dos corolários da minha tese é precisamente a identificação de vários indicadores que apontam que o futuro da fruição musical da rede vai, de facto, convergir para o formato videomusical. Oxalá o YouTube não mate a sua galinha de ovos de ouro com a sua (suposta) ganância. A ver vamos.

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youtube-logo-oblique-650pxComecei a desconfiar que as coisas poderiam começar a descarrilar quando foi anunciado no final do ano passado que o YouTube estaria a pensar em lançar um serviço premium (isto é, pago) de streaming para dispositivos móveis para fazer concorrência a cenas como o Spotify, Rdio, Deezer, etc. O YouTube sempre esteve na linha frente do que acredito ser o futuro da música na rede: acesso livre, sem restrições, baseado num modelo de negócio que gravita em torno da fruição musical (anúncios, product placement, etc.) sem jamais limitar o seu acesso (a não ser que terceiros o solicitassem por questões de violação de direitos de autor ou que os produtores definissem restrições geográficas à fruição dos seus conteúdos). Como é óbvio, a história está ainda longe de estar completa: falta saber, por exemplo, de que forma o formato videomusical se irá articular com o Google Play Music All Access e como as produções vernaculares irão co-existir com os vídeos musicais oficiais. É. Quanto mais penso nisso, mais me convenço que a Google Inc. está a querer mexer (eufemismo para “rentabilizar à bruta”) em algo que, pelo menos para mim, me parece ser um serviço que cumpre tudo aquilo que desejo enquanto consumidor e produtor de conteúdos na rede. Parece que estou a assistir à milésima variação da história mais comum e triste do capitalismo: uma empresa aparece, revoluciona o mercado e combate com sucesso as práticas monopolistas de concorrentes para depois crescer desmesuradamente e enveredar pelas mesmas práticas que outrora combateu.