Clássicos XI: Pharcyde: «Drop» (Spike Jonze, 1995)

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Clássicos V – Pixies: «Head On» (Peter Lubin & Scott Litt, 1991)

Em 1991, os Pixies estavam determinados em não filmar mais vídeos musicais para os seus singles. Após uma discussão acesa com os responsáveis da sua editora nos Estados Unidos, a Elektra Records, a banda acabaria por concordar em filmar um vídeo, desde que o mesmo fosse feito num único take e ao vivo:

By completely live that means full band, vocals, cameras roll, video’s done by the end of two minutes and 13 seconds. One take, that’s it. So those became the ground rules, that was the only way you were going to get a Pixies video for ‘Head On’ or anything else. (Peter Lubin)

Perante esta limitação de um único take, Peter Lubin e Scott Litt resolveram colocar doze câmaras que registrariam, a partir de diferentes planos e enquadramentos, uma sessão de gravação com, literalmente, 2m13s de duração. O resultado foi um vídeo musical decididamente próximo da videoarte devido à dimensão analítica e desconstrutivista da sua abordagem minimalista. Ao dividir a banda no écran pelos seus elementos e cada membro em três blocos de imagens distintos, tornam-se evidentes os tiques, maneirismos e expressões faciais típicos de uma performance em palco. É esta, de resto, a grande virtude de «Head On»: elimina a ilusão de plenitude dos vídeos musicais performativos, isto é, a sensação de estar a ser oferecido ao telespectador tudo o que há para ver.

Nem sei que título dar a isto

Eis um belo vídeo musical performativo. A banda: um duo de impressoras HP Scanjet 3P e Atari 800XL no órgão, um computador Texas Instrument Ti-99/4A na guitarra e um disco duro comandado por um micro-cotrolador PiC16F84A na bateria (e há ainda um par de osciloscópios a fazer ali não sei muito bem o quê). Tudo conduzido, produzido e realizado por Puretune. Que maravilha.

Roleta videomusical com pavão escondido

Um dos grandes fenómenos das plataformas digitais em 2010 foi o Chatroulette, um portal russo criado por Andrey Ternovskiy que permite interacções audiovisuais aleatórias em tempo real entre os seus utilizadores. Apesar de alguns estudos de webometria apontarem para o facto (empiricamente verificável) de cerca de 1/8 das interacções do portal serem de cariz sexual, a verdade é que o Chatroulette tem sido utilizado como uma fonte muito profícua para vídeos musicais, tendo mesmo dado origem ao surgimento de autênticos fenómenos de popularidade como é o caso de Merton, o famigerado Piano Chat Improv.

Um dos mais recentes, conseguidos e propagados (já vos disse que abomino o termo viral, certo?) exemplos desta simbiose entre o portal e o universo dos vídeos musicais é um conteúdo gerado pelo utilizador (CGU) do YouTube Steve Kardynal. A ideia é muito simples e irresistível: gravar, ao som do tema «Peacock» da Katy Perry, a interface do Chatroulette com as reacções de um conjunto de utilizadores perante a peculiar performance coreográfica do autor do vídeo.

O sucesso deste fabuloso vídeo musical reside na conjugação de diversos factores. Para além de uma sábia utilização de uma trilha sonora popular que chegou ao topo do Hot Dance Club Songs da Billiboard (e cuja letra, ambígua qb, já deu origem a inúmeras remisturas e paródias) e das inegáveis virtudes humorísticas da performance coreográfica de Steve Kardynal, o aspecto fulcral para a sua propagação é o facto de o vídeo musical tornar visível o seu medium (a Web 2.0). Na sua obra seminal, Understanding Media, Marshall McLuhan não se cansa de nos chamar a atenção para o facto de as características dos media não serem óbvias ou sequer facilmente perceptíveis, na medida em que são camufladas pela opacidade dos “conteúdos” veiculados pelos mesmos:

It is only too typical that the “content” of any medium blinds us to the character of the medium. This fact merely undelines the point that the medium is the message because it is the medium that shapes and controls the scale and form of human association and action. (2.1, MCLUHAN, 2001, p. 9)

O vídeo musical em causa está nos antípodas desta tendência típica dos conteúdos mediáticos dissimularem o seu medium, na medida em que a sua transparência faz vir ao de cima as características da Web 2.0, reproduzindo não apenas a interface do portal como uma selecção das interacções audiovisuais entre Steve Kardynal e diversos utilizadores. Esta encenação (digo encenação, porque são evidentes os sinais de edição num vídeo que não consiste numa mera aglutinação de momentos gravados em tempo real) cria um efeito especular de grande impacto humorístico: o utilizador não apenas assiste a uma performance já de si hilariante como vê (e, em alguns casos, se revê em) uma vasta paleta de reacções (espanto, perplexidade, divertimento, choque, repulsa, etc.) de outros utilizadores perante o mesmo espectáculo.

Como é óbvio, um meta-vídeo musical deste tipo jamais poderia ter sido concebido quando o formato era exclusivamente um objecto televisivo: são as propriedades interactivas do medium que possibilitam a participação dos utilizadores e a propagação de conteúdos gerados pelos mesmos (CGU). Outra novidade absoluta da convergência do formato é o facto de, apesar de a editora de Katy Perry, a Capital Records, não ter encomendado a produção de um vídeo musical oficial para o tema, este já ser o segundo clipe não oficial de «Peacock» que consegue ultrapassar a barreira do milhão de visualizações: o primeiro foi este e já vai, de resto, em 5 milhões. Apesar disso, o pavão continua em parte incerta.