faina videomusical #29

.
.

Sturgill Simpson: «Turtles All the Way Down» (real. Graham Uleski)

Há tanta coisa fabulosa neste objecto videomusical. Começo pelo título que, de imediato, me fez lembrar a marcante leitura que fiz há mais de duas décadas de Uma Breve História do Tempo de Stephen Hawking (Gradiva, 1988). O parágrafo que abre o primeiro capítulo da obra conta a seguinte história:

Um conhecido homem de ciência (segundo as más línguas, Bertrand Russel) deu uma vez uma conferência sobre astronomia […] No fim da conferência, uma velhinha, no fundo da sala, levantou-se e disse: «O que o senhor nos disse é um disparate. O mundo não passa de um prato achatado equilibrado nas costas de uma tartaruga gigante». O cientista sorriu com ar superior e retorquiu com outra pergunta: «E onde se apoia a tartaruga?» A velhinha então exclamou: «Você é um jovem muito inteligente, mas são tudo tartarugas por aí abaixo!» (p. 17)

É de resto o próprio Sturgill Simpson que cauciona a origem do título do tema numa entrevista ao portal do npr:

I expected to be labeled the “acid country guy,” but it’s not something I dwell on. I would urge anyone that gets hung up on the song being about drugs to give another listen … to me “Turtles” is about giving your heart to love and treating everyone with compassion and respect no matter what you do or don’t believe. The cosmic turtle is from a much quoted story found in publications throughout modern physics and philosophy, even ancient theology, that now essentially serves as a comedic picture or expression of a much grander idea.

The video is a tightly budgeted attempt to capture or represent a visual simulation of that idea. After some correspondence with Dr. Strassman and Andrew Stone at http://www.cottonwoodresearch.org I was introduced to visionary software artist Scott Draves, creator of Electric Sheep. After a few emails and hearing the music, Scott was generous enough to offer his assistance with the project. A friend of mine, Dex Palmer, knew some pretty tech-savvy kids at Cineshot Productions that I enlisted for the chore of filming and editing this thing. (fonte)

A componente visual do vídeo opera de forma análoga à letra e à música da canção: parte do subgénero mais clássico do vídeo musical de música country (o vídeo performativo) e acrescenta-lhe elementos solidários com a fascinante componente de ficção científica que trespassa toda a espessura do tema. Uma maravilha.

FKA twigs: «Two Weeks» (real. Nabil)

Uma versão feminina do fabuloso vídeo que Marco Brambillia engendrou para Kanye West pela sempre dotada mão de Nabil. Sinal dos tempos: apesar de o disco de estreia de FKA twigs apenas sair no próximo mês de Agosto, este já é o seu décimo segundo vídeo oficial. E alguns deles não ficam nada atrás deste último.

School Of Seven Bells: «I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)» (real. Tony Halbrooks & Alan Del Rio Ortiz)

Quando li a descrição do vídeo no YouTube, fiquei logo de pé atrás (abomino a necrofilia e o excesso de pathos):

School of Seven Bells is pleased to announce the official video for the track ‘I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)’ originally by Joey Ramone. Throughout 2013, producer and guitarist Benjamin Curtis had been battling T-cell Lymphoblastic Lymphoma. Recording in its entirety on his laptop from his hospital bed in NYC, ‘I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)’ is Benjamin’s final recording before passing on December 29, 2013. Directors and long time friends of the group, Toby Halbrooks and Alan Del Rio Ortiz, created this visually stunning piece. Revolving around a cross-country road trip stopping in Indio and Joshua Tree, the video celebrates life while displaying its cyclical and inexplicable properties.

Agora que já o vi, percebo que os meus receios eram infundados. Meninas e meninos, eis aquele que é, até agora, o meu vídeo musical favorito de ano.

Anúncios

Faina videomusical #5

.
.
Django Django: «WOR» (real. Noisey)

É difícil apontar defeitos a esta espécie de documentário videomusical filmado na Índia, a não ser o facto de ser extremamente similar a um que foi filmado há meia-dúzia de anos na Figueira da Foz. Deixo os dois de seguida para ver se concordam comigo ou não.

Bitting Elbows: «Bad Motherfucker» (real. Ilya Naishuller)

Este vídeo é o segundo tomo de uma série intitulada Insane Office Escape criada por Ilya Naishuller e Sergey Valyaev, cujo primeiro capítulo remonta a 2011. A ideia não é nova (ver este clássico por exemplo), mas a execução é de tirar o fôlego ao espectador mais prevenido e remete de imediato para a experiência de um tipo peculiar e muito popular de videojogos: os first-person shooter. Fabuloso.

.
Justin Timberlake: «Mirrors» (real. Floria Sigismondi)

2013 está a marcar um regresso cheio de vitalidade por parte de uma das figuras mais importantes do universo videomusical das duas últimas décadas: a realizadora Floria Sigismondi. Depois do segundo vídeo que marca o auspicioso regresso de David Bowie, ei-la de novo com mais um registo épico desta vez ao serviço de outra grande estrela que não lançava um disco há uma série de anos: Justin Timberlake. Curiosamente, os dois vídeos partilham a mesma obsessão em torno da passagem do tempo e da forma como o filtramos através das memórias. Que a Floria tenha tido a oportunidade de explorar o mesmo conceito num tão curto período de tempo com a música de duas das maiores estrelas musicais da actualidade é um feito digno de nota. E de aplauso.

Foals: «Late Night» (real: NABIL)

A este ritmo, os Foals arriscam-se a ser a banda com os melhores vídeos musicais de 2013. E, coisa rara, as canções do novo disco da banda britânica estão à altura da empreitada.