faina videomusical #17

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Clã: «Rompe o Cerco» (real. André Tentúgal & Inês Nepomuceno)

Ai os Clã. Um gajo passa não sei quantos meses (anos?) sem ouvir falar neles e, de repente, ei-los de volta com um temão que consegue resgatá-los da nossa memória ou de exercícios retro-saudosistas para trazê-los de volta aos nossos dias e a soar como uma banda que, de facto, vive em Portugal no ano de 2013. O vídeo musical textual (ou lyric music video) também ajuda, claro, com o toque sempre mágico do grande André Tentúgal e da designer Inês Nepomuceno. Quem diria que seria uma banda com mais de 20 anos de carreira a fazer o vídeo tuga com mais zeitgeist do ano?

Lana del Rey: «Tropico» (real. Anthony Mandler)

Esta muito antecipada média-metragem videomusical da Lana del Rey é das coisas mais alucinantes que vi este ano. Até eu, que sempre achei que a faceta visual da sua obra bem mais interessante que a música (lembram-se da maravilha daqueles primeiros vídeos?), não estava preparado para a escala da empreitada. Penso que haverá pouca malta a aguentar ver isto até ao fim, mas, para mim, este Tropico é um dos grandes feitos videomusicais do ano.

Mineo: «Turn out the lights» (real. PE Joubert)

Mais um para acrescentar à lista de vídeos musicais inspirados em GIFs. Tudo filmado com um telemóvel e a fazer lembrar os vines (provavelmente a grande sensação audiovisual de 2013).

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Arcade Fire (reprise)

Os Arcade Fire não brincam em serviço quando se trata de promover o seu novo álbum e sabem, melhor do que ninguém, a importância das plataformas digitais e do formato videomusical para disseminar a sua música. Depois de terem disponibilizado dois vídeos musicais (um convencional e outro interactivo) para o mesmo tema há algumas semanas atrás, ei-los a depositar no YouTube um formato videomusical meio-híbrido (algures entre uma sessão videomusical performativa e uma média-metragem videomusical) intitulado Here Comes The Night Time que alterna interpretações de temas do novo disco com momentos humorísticos com cameos de malta como James Franco, Rainn Wilson, Bono (U2), Ben Stiller, Michael Cera, Bill Hader, Zach Galifianakis, Eric Wareheim, Jason Schwartzman e Aziz Ansari. Tudo isto foi parar ontem à rede logo a seguir à sua estreia televisiva e à passagem da banda pelo Saturday Night Live. A realização ficou a cargo de Roman Coppola, outro peso-pesado do universo videomusical. Musicalmente, a coisa soa (e de que maneira) aos anos dourados dos Roxy Music (o que só lhes fica bem).

Sigur Rós: «Leaning Towards Solace» (Floria Sigismondi, 2012)

Mais uma bela média-metragem videomusical, desta vez da autoria da Floria Sigismondi (um nome incontornável da história do formato) para os Sigur Rós. Como vem sendo típico desta nova (ou recente) tendência videomusical, a trilha sonora recorre a dois temas do último disco da banda («Dauðalogn» e «Varúð») e conta com a superior participação de duas estrelas do cinema americano: Elle Fanning e John Hawkes.

Dirty Projectors: «Hi Custodian» (David Longstreth, 2012)

Mais uma média-metragem videomusical fresquinha, cortesia de David Longstreth (a realizar o seu segundo vídeo) e dos seus Dirty Projectors. Excelente, como sempre.

Ariel Pink: «Witchhunt Suite for World III» (Animal Charm, 2011)

Mais um recentíssimo exemplo de uma média-metragem videomusical que, nem de propósito, tem uma estética muito semelhante ao trio de vídeos abordados no último post: um magma retro de imagens onde se fundem toneladas de gravações em VHS que vão de anúncios a noticiários, passando por filmes e séries televisivas.