faina videomusical #25

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Damon Albarn: «Mr. Tembo» (real. Giorgio Testi)

Giorgio Testi está a ter um 2014 em grande: depois de ter saído a semana passada o seu fabuloso vídeo para as Savages, eis que chega mais um belo exercício performativo da sua autoria, desta vez para o Damon Albarn cujo último disco tem sido pretexto para excelentes vídeos musicais. E este não escapa à regra.

DJ Snake (& Lil Jon): Turn Down for What (real. Daniels)

Quem lê este blogue com alguma regularidade, sabe que sou um fã incondicional da dupla Daniels. O mais recente vídeo dos meninos é uma genial revisitação de um clássico absoluto do formato videomusical (este) e uma fonte quase infinita de gifs. Já tem lugar cativo na minha lista de fim de ano.

Arcade Fire: «We Exist» (real. David Wilson)

Isto vai fazer furor devido à presença de Andrew Garfield – e sabem que mais? O rapaz merece. Ele e os Arcade Fire que continuam a encomendar fabulosos vídeos musicais: o fabuloso final do vídeo não foi encenado, mas de facto filmado in loco no Coachella do mês passado.

clipping. (ft. Cocc Pistol Cree): «Work Work» (real. Carlos Lopez Estrada)

Foi a minha descoberta da semana: meninas e meninos, apresento-vos Carlos Lopez Estrada.

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faina videomusical #17

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Clã: «Rompe o Cerco» (real. André Tentúgal & Inês Nepomuceno)

Ai os Clã. Um gajo passa não sei quantos meses (anos?) sem ouvir falar neles e, de repente, ei-los de volta com um temão que consegue resgatá-los da nossa memória ou de exercícios retro-saudosistas para trazê-los de volta aos nossos dias e a soar como uma banda que, de facto, vive em Portugal no ano de 2013. O vídeo musical textual (ou lyric music video) também ajuda, claro, com o toque sempre mágico do grande André Tentúgal e da designer Inês Nepomuceno. Quem diria que seria uma banda com mais de 20 anos de carreira a fazer o vídeo tuga com mais zeitgeist do ano?

Lana del Rey: «Tropico» (real. Anthony Mandler)

Esta muito antecipada média-metragem videomusical da Lana del Rey é das coisas mais alucinantes que vi este ano. Até eu, que sempre achei que a faceta visual da sua obra bem mais interessante que a música (lembram-se da maravilha daqueles primeiros vídeos?), não estava preparado para a escala da empreitada. Penso que haverá pouca malta a aguentar ver isto até ao fim, mas, para mim, este Tropico é um dos grandes feitos videomusicais do ano.

Mineo: «Turn out the lights» (real. PE Joubert)

Mais um para acrescentar à lista de vídeos musicais inspirados em GIFs. Tudo filmado com um telemóvel e a fazer lembrar os vines (provavelmente a grande sensação audiovisual de 2013).

faina videomusical #14

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Nos últimos dias veio parar à rede tanta coisa interessante, que me vejo forçado (so to speak) a fazer mais uma faina antes de ir de férias. Acho que vale a pena.

MGMT: «Your Life is a Lie» (real. Tom Kuntz)

Um óbvio descendente deste clássico absoluto na forma como congrega em pouco mais de dois minutos dezenas de ideias e imagens passíveis de originar outros tantos GIFs. A edição é frenética e repetitiva e, que raios, a coisa é viciante (tal como a música dos MGMT).

Jay-Z: «Picasso Baby» (real. Mark Romanek)

Este vídeo ostenta o pomposa descrição de “performance art video” na sua descrição do YouTube, ignorando o facto de a relação do formato videomusical com a videoarte remontar, pelo menos, à década de 80 (falei de um exemplo clássico recentemente). Realizado pelo veterano Mark Romanek, o clipe resulta de uma edição da performance (inspirada em Marina Abramovic) que o Jay-Z levou a cabo recentemente numa galeria nova-iorquina. O resultado é, para algum espanto meu, interessante porque consegue transpor para um espaço cheio de gravitas a genuíno efeito de comunhão que a fruição musical por vezes desperta, misturando figuras conhecidas do mundo da showbiz com personagens até então anónimas e desconhecidas do grande público.

FKA twigs: «Water Me» (real. Jessa Kanda)

É impossível ver este vídeo e não pensar nestoutro. Um monumento de subtileza e minimalismo.

GIFs e vídeos musicais (adenda)

Uma pequena adenda a este post para acrescentar mais dois exemplos de vídeos musicais inspirados no formato GIF. O primeiro é dos The Sea and Cake (realizado por Lung) e um consiste num incessante travelling de gifs. O segundo é da autoria de Danila Kostil para Adrian Sieber e emula uma série de gifs que encaixa que nem uma luva na letra do tema.

Faina videomusical #7

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Joel Compass: «Back To Me» (real. Ian & Cooper)

Apesar de o formato videomusical ter sido ao longo da sua história um formato fértil na experimentação de novas técnicas de filmagem e de efeitos especiais, a sua convergência para as plataformas digitais veio atenuar essa tendência, o que é em parte explicável pelo pendor vernacular e baixo orçamento de parte considerável das produções. Este vídeo é, por isso, hoje em dia, um caso relativamente bissexto de exploração de uma técnica recente chamada cinemagraph em que cada enquadramento é cristalizado (freeze frame) com a excepção de um pormenor que é animado, podendo essa animação ser pós-produzida em câmara lenta, forward ou rewind. Neste caso, o resultado da utilização desta técnica é bem mais do que uma sequência de gifs e aproxima-se de uma espécie de fotonovela videomusical com pulso, onde as elipses acabam por ter uma papel narrativo tão preponderante quanto o das imagens. Belíssimo.

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Cat Power: «Manhattan» (real. Chan Marhall & Greg Hunt)

Por falar em belo, o punctum deste avassalador objecto videomusical é bem capaz de ser o billboard que surge aos 1’27”, porque veicula a posse de um lugar que entra em tensão com o We’ll never be Manhattan proclamado no refrão. Ter e Ser são coisas distintas, todos nós o sabemos. Mas raramente esse facto nos é explicado de forma tão sublime e eficiente.

Robin Thicke: «Blurred Lines» (ft. T.I. & Pharrell) (real. Diane Martel)

Coloco este vídeo como ponto de fuga à gravitas dos dois anteriores. Believe it or not, este rebuçado absolutamente inofensivo foi banido do YouTube, o que demonstra que ainda há algum terreno a galgar para o portal da Google Inc. superar os pretéritos tiques moralistas da MTV. O Vimeo agradece. E eu lamento.