Boards of Canada: Tomorrow’s Harvest (The Movie)

Não conheço nenhum caso anterior, pelo que existe a probabilidade de isto ser mesmo uma novidade na esfera do formato: uma comunidade de fãs compilar uma série videomusical em que os vídeos realizados pelos fãs cobrem a totalidade dos temas de um disco de originais de uma banda. Essa banda, como não podia deixar de ser, são os Boards of Canada, talvez o projecto musical cuja música mais vídeos inspira na rede. O que torna a coisa ainda mais interessante (e híbrida) é o facto de estar incluído na série o vídeo oficial de Reach for The Dead de Neil Krug que, como já tive a oportunidade de referir antes, não passava de um fã voluntarioso que fazia vídeos caseiros ao som de temas da banda antes de ter sido contratado pelos dupla escocesa. A qualidade do resultado final é surpreendentemente elevada do princípio ao fim e é mais do que digna da fabulosa música dos manos Michael Sandison e Marcus Eoin.

CRÉDITOS: “Gemini” by Beta 401 * “Reach For The Dead” by Neil Krug * “White Cyclosa” by TBJ Productions * “Jacquard Causeway” by Mhorg * “Telepath” by Drog * “Cold Earth” by Julien Lavigne * “Transmisiones Ferox” by Carlos C. * “Sick Times” by David Mike * “Collapse” by MrSeriouslySerious * “Palace Posy” by Yellow Jacket * “Split Your Infinities” by Carlos C. * “Uritual” by Fabien Dendievel * “Nothing Is Real” by Iphanners * “Nwodnus Sundown” by Faastwalker * “New Seeds” by Alexis Zeville * “Come To Dust” by Jason Donervan * “Semena Mertvykh” by Turk242.

Antville Music Video Awards 2012

AMVA_2012_Logo_S_Color Entre as inúmeras listas que elegem anualmente os melhores vídeos musicais, há uma a que dou sempre uma importância particular: a que resulta dos Antville Music Video Awards (prémios anuais da maior comunidade virtual de fãs do formato, cuja fruição participativa foi um dos pilares da minha investigação). Este ano, e no momento em que me aproximo do término da redacção da primeira versão da tese, resolvi voluntariar-me para a organização da edição de 2012 dos prémios.

Após ter pedido a um grande e talentoso amigo chamado Bruno Roda para elaborar a identidade gráfica dos AMVA 2012, o meu trabalho passou pela organização das votações e pelo tratamento de toda a informação compilada que levou à escolha dos cinco nomeados para um total de quatorze categorias. Actualmente, as votações estão abertas para os antvillers que poderão votar até ao final do próximo dia 24 de dezembro. Podem espreitar os nomeados e o andamento das votações aqui.

Sou membro do Antville desde maio de 2005. Nos últimos 7 anos, a comunidade não apenas foi fundamental para o desempenho das minhas pretéritas funções na MTV Portugal e para o meu actual projecto de investigação como me proporcionou inúmeras horas de prazer videomusical e um fórum privilegiado para discutir ideias sobre o formato. Desta forma, a organização da edição deste ano dos prémios não é para mim apenas uma honra, mas uma rara oportunidade de demonstrar a minha gratidão. Prometo depois publicar aqui a lista dos vencedores.

Radiohead: Roseland Ballroom

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Já está disponível tanto no YouTube como para download (via Zomb) o vídeo musical de 2 horas que documenta o concerto que os Radiohead deram em Nova Iorque no dia 29/11/2011. Demorou quase um ano para ver a luz do dia, mas valeu a pena a espera, ou não fosse esta edição o resultado de um esforço colaborativo entre a banda (que forneceu o audio já misturado) e um conjunto de dez fãs que filmaram e editaram o concerto. Uma maravilha.

Sobre a difusão de vídeos na Web social

Os infográficos são uma praga comparável ao PowerPoint, mas vale a pena atentar a este sobre a difusão de vídeos na Web social (via Mashable):

 

 

O infográfico contém alguma informação interessante, de resto já reiterada por outros estudos, como o facto de a brevidade ser uma mais-valia na definição do número potencial de fruidores e de o facebook ser cada vez mais incontornável na fruição e na difusão de conteúdos audiovisuais. Existem, no entanto, diversos aspectos não referidos pelo infográfico que me parecem importantes num esboço, por mais sucinto que seja, da difusão audiovisual na Web social. Isto dá, obviamente, pano para mangas, mas vou tentar ser breve:

– a duração de um vídeo está longe de esgotar o rol de características capazes de despertar o desejo de fruição num utilizador e o seu agenciamento na difusão do conteúdo. Existe um vasto e complexo leque de factores que vão da definição da identidade à expressão da individualidade dos utilizadores que interferem nas suas escolhas de fruição e de disseminação. Esses factores podem ser de natureza emocional ou estética, ou de natureza mais racional, caso da obtenção ou da partilha de informação relevante para os utilizadores.

– o infográfico parece ignorar que o YouTube é, de facto, uma rede social (só assim se explica a sua não inclusão no segundo tópico);

– a difusão de conteúdos não possui apenas uma dimensão quantitativa (quantos utilizadores vêem um vídeo), mas qualitativa (é o grau de empenho despertado pela fruição de um vídeo que poderá levar ao agenciamento do utilizador na sua disseminação). Mais: o infográfico ignora o facto de haver utilizadores com maior capacidade de difusão do que outros por razões tão diversas como a sua predisposição ou motivação em partilhar informação e conhecimento (peritos) ou o facto de possuírem uma rede social mais vasta (conectores). É a clássica Law of the Few explorada por Malcom Gladwell em The Tipping Point (2.1, GLADWELL, 2000), que distingue os meros consumidores dos multiplicadores (2.1, McCRACKEN, 2005).

– o terceiro tópico poderá induzir em erro os menos atentos devido ao facto de se focar nas marcas (brands). Como é óbvio, o entretenimento (e, em particular, a música) é o sector mais audiovisualmente disseminado na Web, facto facilmente comprovado por diversos estudos que apontam os vídeos musicais como o formato mais fruído nas plataformas digitais.

– quaisquer dados demográficos convencionais (sexo, idade, etc.) são pouco úteis para definir o perfil dos utilizadores que consomem e disseminam conteúdos audiovisuais, na medida em que estes não contemplam os efeitos da plenitude (2.1, McCRACKEN, 2010) que levaram à fragmentação de uma audiência global em nichos de utilizadores cada vez mais específicos e diferenciados que formam a longa cauda (2.1, ANDERSEN, 2006) do mercado das plataformas digitais. E esses nichos, repito, não são identificáveis através do mero recurso a dados demográficos convencionais e implica, forçosamente, um estudo aprofundado de fenómenos como o fanismo.

Para terminar, um elogio: o infográfico (contrariamente ao artigo do portal onde foi retirado) jamais cai na tentação de reduzir os utilizadores das plataformas digitais a meros pacientes ou veículos que são “infectados” (a metáfora é essa) pelas características supostamente virais de certos conteúdos audiovisuais. Na difusão de qualquer objecto, há sempre 3 factores a ter em conta: o medium, o objecto e o utilizador. Ao insistir nesta metáfora viral, o marketing digital tem, nos últimos anos, vindo a menosprezar a importância deste último e decisivo factor: o humano.