Here Comes The George Constanza Time

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Arcade Fire: Reflektor

Ora aqui está: os Arcade Fire acabam de disponibilizar o seu novo disco na íntegra no YouTube através de um vídeo musical textual (lyric music video). Ou melhor: uma série de vídeos musicais textuais cujas imagens foram retiradas do filme Orfeu Negro (1959). Como não podia deixar de ser, este exercício de sobreposição funciona lindamente ou não fossem as imagens da obra-prima de Marcel Camus hóspitas a qualquer música dançável – como é, indiscutivelmente, a deste Reflektor. Se forem ao YouTube, podem mesmo, no separador “Sobre”/”About”, aceder directamente a cada um dos temas que perfazem o disco com um mero clique.

Arcade Fire (reprise)

Os Arcade Fire não brincam em serviço quando se trata de promover o seu novo álbum e sabem, melhor do que ninguém, a importância das plataformas digitais e do formato videomusical para disseminar a sua música. Depois de terem disponibilizado dois vídeos musicais (um convencional e outro interactivo) para o mesmo tema há algumas semanas atrás, ei-los a depositar no YouTube um formato videomusical meio-híbrido (algures entre uma sessão videomusical performativa e uma média-metragem videomusical) intitulado Here Comes The Night Time que alterna interpretações de temas do novo disco com momentos humorísticos com cameos de malta como James Franco, Rainn Wilson, Bono (U2), Ben Stiller, Michael Cera, Bill Hader, Zach Galifianakis, Eric Wareheim, Jason Schwartzman e Aziz Ansari. Tudo isto foi parar ontem à rede logo a seguir à sua estreia televisiva e à passagem da banda pelo Saturday Night Live. A realização ficou a cargo de Roman Coppola, outro peso-pesado do universo videomusical. Musicalmente, a coisa soa (e de que maneira) aos anos dourados dos Roxy Music (o que só lhes fica bem).

Arcade Fire: Reflexões

Os Arcade Fire lançaram esta segunda-feira não um, mas dois vídeos musicais para promover a primeira amostra (até tenho receio de escrever “single”) do que será o quarto álbum dos rapazes (que sai no final de Outubro). O gesto não é propriamente inovador e, de certa forma, até sintomático da predominância do formato videomusical na emergente paisagem videomusical.

O primeiro vídeo foi realizado pelo habitual colaborador da banda Vincent Morrisset e é, como é hábito no realizador, interactivo. Podem aceder ao mesmo aqui (precisam do Chrome e de um periférico – rato, smartphone ou tablet), explorar a tecnologia envolvida na sua feitura ali e, já agora, ficam já de seguida com uma pequena apresentação (making of) da engenhoca:

Conceptualmente, a coisa impressiona: a experiência de interacção ecoa a letra dos Arcade Fire e, no fundo, acaba por transformar cada utilizador no “reflector” em torno do qual gravita a canção. Tecnologicamente, nem por isso: a coisa funciona bem, é verdade, mas o actual status quo das possibilidades de interacção humano-computador estão a milhas das que são aqui facultadas (basta pensar em qualquer videojogo). Finalmente, do ponto de vista de fruição, confesso que fiquei bastante desiludido. Não apenas porque os Arcade Fire já nos tinham oferecido experiências interactivas bem mais estimulantes, como o realizador Vincent Morrisset tinha sido dos poucos a explorar uma via interactiva que continua pouca explorada no universo videomusical: a do som. Enfim, continuo à espera de um vídeo interactivo realmente estimulante e que inclua tanto a imagem como o som na experiência de interacção do utilizador. De facto, ainda não foi desta.

O segundo vídeo musical foi realizado por Anton Corbijn (um dos grandes nomes do formato das últimas décadas) e, apesar de mais convencional, parece-me ser sinceramente mais conseguido. E com mais potencial de ser revisto. E partilhado. E comentado. E remisturado. É o que dá não ser insular (como o são a esmagadora maioria dos vídeos musicais interactivos alojados em portais da web) e fazer parte deste gigantesco e dinâmico acervo cultural que é o YouTube.

NOTA: mais textos do blogue sobre vídeos musicais interactivos disponíveis aqui.

Arcade Fire: «Sprawl II (Montains Beyond Mountains)» (Vicent Morrisset, 2011)

Os Arcade Fire e o Vincent Morrisset brindam-nos com mais um vídeo interactivo: desta vez, a interactividade consiste num controlo das imagens a partir dos nossos próprios movimentos captados pela webcam. No início a coisa pareceu-me pouco interessante, mas as variações e as possibilidades de interacção têm-se revelado quase infinitas. Também existe uma versão não interactiva no sítio do costume (U2B):