Jamais deux sans trois

Ainda a propósito do post anterior, acaba de ser disponibilizado mais um fabuloso vídeo musical textual (ou lyric music video) de um projecto musical tuga. Aspecto curioso (e muito meritório) é o facto de We Trust ser o projecto musical de André Tentugal, nome que os leitores deste blogue facilmente reconhecerão pois não me canso de repetir que ele é um dos mais talentosos realizadores de vídeos musicais do nosso país. Apesar disso (ou, se calhar, exactamente por isso), o André faz sempre questão de contratar os serviços de outros realizadores para os vídeos da sua banda. Depois do mega-sucesso do primeiro vídeo (que, à data em que escrevo, já vai com cerca de 750 mil visualizações no YouTube), este segundo vídeo (uma animação de Robert Wallace) tem tudo para lhe seguir as pisadas.

faina videomusical #21

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Capicua (com M7): «Mão Pesada» (real. Vasco Mendes)

Existe uma espécie de complementaridade entre os dois vídeos mais recentes da Capicua: se o primeiro se focava na parte inferior do corpo da protagonista, este último filma apenas o busto das figuras que vão surgindo no ecrã. O movimento circular alternado parece-me ser uma forma (bem subtil e inteligente) que o Vasco Mendes terá encontrado para ilustrar com imagens o significado nome da rapper portuense que consegue o feito de promover o seu novo disco com dois fabulosos vídeos musicais. Chapeau to that.

Haim: «If I Could Change Your Mind» (real. Warren Fu)

Perfeição videomusical. Da coreografia (cortesia de Fatima Robinson) à fabulosa iluminação, passando pela edição e, claro, pela performance magnética daquelas manas. Não ficará na memória de muitos, é certo, mas não me parece que vai haver muitos vídeos este ano capazes de ombrear com esta brutal demonstração de virtuosismo de Warren Fu.

Damon Albarn: «Lonely Press Play» (real. Damon Albarn)
Major Lazer (ft. Moska & RDX): «Lose Yourself» (real. Diplo)

Para além da excelência das trilhas sonoras, há muito pouco em comum entre o novo vídeo de Damon Albarn e de Major Lazer (aka Diplo). A não ser isto: ambos foram realizados pelos próprios artistas com equipamentos caseiros de gravação (o Damon com o seu tablet e Diplo com a sua própria câmara de filmar digital). Penso que este será uma tendência que se irá acentuar nos próximos anos: a dos músicas assumirem cada vez mais uma visão holística do seu trabalho artístico. Se os resultados forem sempre tão bons e diversos, não vejo motivos para o cidadão se preocupar.

Pussy Riot: «Putin Will Teach How To Love» (real. Pussy Riot)

O vídeo musical mais importante do ano. E o melhor vídeo punk de sempre. Nem mais.

faina videomusical #19

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Capicua: «Sereia Louca» (real. André Tentugal)

Um dos mais talentosos realizadores de vídeos musicais tuga está de volta. Desta vez, a sorte grande saiu à Capicua que, a julgar pela amostra, tem na manga um disco do caraças (sai já em Março). Ou muito me engano ou terão bastado as cinco primeiras palavras do tema («A sereia queria usar sapatos») para o André Tentugal se lembrar do fabuloso enquadramento que domina esta pequena maravilha.

Cascadeur: «Ghost Rider» (real. André Chocron)

Janeiro não podia terminar sem nos oferecer o primeiro grande vídeo do ano. Apesar de André Chocron já tinha sido um dos nomeados para o prémio de melhor novo realizador dos Antville Music Video Awards do ano passado, confesso que esta absoluta maravilha me apanhou desprevenido. Deve haver poucas coisas mais difíceis do que utilizar o formato videomusical para construir uma narrativa que misture, com tamanha proporção e equilíbrio, humor, suspense e pathos. Chapeau.

St. Vincent: «Digital Witness» (real. Chino Moya)

You know me: qualquer videozeco com a Annie Erin Clark é para mim uma fonte quase inesgotável de prazer. Mas quando à sua presença se soma a sua música, temos sempre, invariavelmente, objectos audiovisuais que devem tanto à tradição videomusical como à videoarte.

faina videomusical #17

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Clã: «Rompe o Cerco» (real. André Tentúgal & Inês Nepomuceno)

Ai os Clã. Um gajo passa não sei quantos meses (anos?) sem ouvir falar neles e, de repente, ei-los de volta com um temão que consegue resgatá-los da nossa memória ou de exercícios retro-saudosistas para trazê-los de volta aos nossos dias e a soar como uma banda que, de facto, vive em Portugal no ano de 2013. O vídeo musical textual (ou lyric music video) também ajuda, claro, com o toque sempre mágico do grande André Tentúgal e da designer Inês Nepomuceno. Quem diria que seria uma banda com mais de 20 anos de carreira a fazer o vídeo tuga com mais zeitgeist do ano?

Lana del Rey: «Tropico» (real. Anthony Mandler)

Esta muito antecipada média-metragem videomusical da Lana del Rey é das coisas mais alucinantes que vi este ano. Até eu, que sempre achei que a faceta visual da sua obra bem mais interessante que a música (lembram-se da maravilha daqueles primeiros vídeos?), não estava preparado para a escala da empreitada. Penso que haverá pouca malta a aguentar ver isto até ao fim, mas, para mim, este Tropico é um dos grandes feitos videomusicais do ano.

Mineo: «Turn out the lights» (real. PE Joubert)

Mais um para acrescentar à lista de vídeos musicais inspirados em GIFs. Tudo filmado com um telemóvel e a fazer lembrar os vines (provavelmente a grande sensação audiovisual de 2013).

Songbook de Beck com sotaque (e talento) portuense

weold

Mais uma excelente iniciativa do Público. No seguimento do lançamento do surpreendente Songbook por parte de Beck, o jornal resolveu convidar dois grandes músicos nacionais, André Tentugal (aka We Trust) e Francisco Silva (aka Old Jerusalem), para interpretarem duas (excelentes) versões do tema «Sorry». Tal como tinha previsto, o jornal não apenas nos brinda com as respectivas trilhas sonoras, mas também com dois vídeos musicais performativos produzidos pela Anexo 82. Way to go, Público.

O vídeo de Old Jerusalem pode ser acedido aqui e o de We Trust (espertalhaço) também já roda no YouTube, o que me permite incorporá-lo já de seguida: