Relatório #10 (final)

Praia onde eu a Manela costumamos passear as nossas cadelas (a Mia e a Ruça) ao final do dia.

Praia onde eu a Manela costumamos passear as nossas cadelas (a Mia e a Ruça) ao final do dia.


 
No passado dia 22 de Julho, lá defendi na Universidade de Aveiro a tese de doutoramento que foi a razão de ser deste blogue. Foram umas provas longas e duras, 3 horas a discutir o trabalho que desenvolvi nos últimos 4 anos perante um júri que me honrou com a sua leitura atenta e com uma série de perguntas incisivas que me fizeram novamente reviver todo o conjunto de decisões que tive de tomar ao longo da investigação. Acabou tudo da melhor maneira: depois de ter obtido uma média de 18 valores na parte curricular em 2010, fui Aprovado por unanimidade com Distinção e Louvor.

Chega agora a altura solene dos agradecimentos.

Aos meus orientadores, agradeço o permanente apoio, partilha de conhecimento e contribuição para o trabalho. Ao Rui Raposo, agradeço o facto de ter sido o primeiro a acreditar na validade científica de um projeto que tinha como objeto de estudo o formato videomusical e a confiança que, desde a primeira hora, depositou no meu trabalho; à Rosa Maria Martelo a forma sempre decidida, generosa e atenta como acompanhou o estimulante exercício transdisciplinar que foi uma das pedras angulares da investigação.

Nos seminários do curso de doutoramento, pude beneficiar da experiência de um vasto grupo de docentes e investigadores, o que representou uma oportunidade ímpar de aprendizagem. Agradeço a paciência e o rigor que todos devotaram às suas aulas nas pessoas dos coordenadores do curso: o Fernando Ramos e o Armando Malheiro.

Estou igualmente grato à Fundação para a Ciência e Tecnologia por me ter agraciado com uma bolsa que tornou possível a concretização do meu projeto de investigação. A minha gratidão estende-se igualmente ao Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e, em particular, ao Gonçalo Vilas-Boas por me ter aceite como colaborador da exemplar unidade de investigação que dirige.

Agradeço também aos amigos com quem fui partilhando esta aventura: o Frederico Sacramento, o Bruno Roda, o Rodrigo Albergaria, o Nuno Serrão, o Pedro Oliveira e a Marinela Freitas. A minha gratidão estende-se a todos os membros do Antville, com destaque para o Philip Rogosky, o Kevin Athens, o Tobi Schäfer e o Hilário Amorim. Por fim, o meu obrigado aos leitores do blogue pelo privilégio que me concederam com a leitura e comentários aos posts, memorandos e artigos que estiveram na base da redação da tese.

À Manela e à Dona Adozinda (que agora desbunda o meu iPad que nem gente pequena), dedico tudo isto. Nada faz o mais pequeno sentido sem esta dupla maravilha. E ao Américo Santos, claro, a quem devo o pouco que sei sobre a amizade e o conhecimento.

E agora o blogue.

Como não podia deixar de ser, o mv flux fica por aqui. Vêm aí novos desafios académicos e profissionais, alguns secantes e outros tangentes à videomusicalidade, um tema que está ainda longe muito longe de estar esgotado e que continua, mais do que nunca, na ordem do dia. Prometo voltar aqui quando a tese estiver disponível no repositório da Universidade de Aveiro ou quando tiver um novo pousio na blogosfera. Apresentei o mês passado um projecto de pós-doutoramento que, caso seja financiado, terá necessariamente uma importante presença no HTML. A ver vamos. Oxalá o que fica aqui escrito possa ser útil a futuros investigadores. Estarei sempre disponível para responder a qualquer email.

Para já, despeço-me, como não podia deixar de ser, com um vídeo musical. Que acaba por dizer de forma muito mais eloquente o que sinto neste preciso momento. Os fins são a partitura de todos os começos. Até breve.

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por João Pedro da Costa Publicado em relatórios Com as etiquetas

Relatório #9

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A escrita da tese vai entrar nas próximas semanas em hibernação. Pretendo voltar a pegar nela lá para março e reler tudo de fio a pavio, fazer eventuais alterações ou actualizações, e depois mergulhar na escrita do derradeiro capítulo. Vai ser uma tarefa intensa e demorada e preciso mesmo de me afastar do documento para depois olhar para as suas mais de 300 páginas com um olhar fresco e o meu sentido crítico apurado. Ando igualmente com a ideia de converter a tese num formato livro (físico ou ebook, não sei bem) em Inglês. Traduzi um subcapítulo recentemente e fiquei agradavelmente surpreso com o resultado. A ver vamos.

Entretanto, há uma série de artigos meus em órbita. Alguns já foram publicados, outros estão no prelo, outros foram submetidos e, por fim, outros ainda estão a ser redigidos (tarefa a que me irei dedicar nas próximas semanas). Vou aproveitar este post para fazer um pequeno ponto de situação desta importante vertente do meu trabalho de investigação.

> Publicados

COSTA, João Pedro da (2012), É Viral, Ninguém Leva A Mal in Viral Agenda (13/12).

COSTA, João Pedro da (2010), YouTube vs Vimeo: uma análise comparativa de acessibilidade, usabilidade e desejabilidade para os utilizadores de fluxos videomusicais in Prisma, revista electrónica do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (cetac.media), n.º 11.

COSTA, João Pedro da (2009), Fluxos videomusicais: uma proposta epistemológica para o estudo dos vídeos musicais na Web 2.0 in Prisma, revista electrónica do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (cetac.media), n.º 9.

COSTA, João Pedro da (2008), How to make a nice music video text with no money. Sobre a videografia de Rui de Brito in Vimus 2008. Catálogo do II Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, pp. 51-56.

COSTA, João Pedro da (2007), Uma aproximação à obra de José Pinheiro in Vimus 2007. Catálogo do I Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, pp. 55-57.

> No prelo

COSTA, João Pedro da; Rui RAPOSO (2013?), «A difusão na Web Social: o caso dos vídeos musicais» in PASSARELLi, Brasilina; Armando MALHEIRO (org.), Informação e Comunicação em Plataformas Digitais: Paradigmas e Aplicações, São Paulo: SENAC.

COSTA, João Pedro da (2013?), «The Digital Meta-Dissemination of Fear in Music Videos. A transdisciplinary textual analysis of two case studies: Esben and the Witch’s Marching Song and M.I.A.’s Born Free» in ARAÚJO, Susana; Marta Pacheco PINTO, Sónia RIBEIRO, and Kristian Van HAESENDONCK (org.), Fear and Fantasy in a Global World, Centre for Comparative Studies of the Faculty of Letters of the University of Lisbon.

> Submetido

COSTA, João Pedro da (2013?), «A difusão videomusical na Web Social: o caso de Average Homeboy de Denny Blaze», Comunicação e Sociedade, 23, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

> Em redacção (proposta submetida e aprovada)

COSTA, João Pedro da (2013?), «Redactional practices in online music videos», The International Journal of the Image, Chicago.

> Em redacção (proposta submetida e a aguardar aprovação)

COSTA, João Pedro da (2013?), «A difusão vertical na Web Social. O caso do vídeo musical Heaven Can Wait no Antville» in RIBEIRO, Fernanda (org.), Informação e/ou Conhecimento: as duas faces de Jano, ISKO.

O passado mês de janeiro superou com 1561 acessos o anterior máximo do blogue registado em fevereiro de 2012 (1280). Que um tema tão bissexto como a videomusicalidade digital, para mais abordado em Português e sob uma perspectiva académica, consiga congregar tantos leitores é para mim uma surpresa e um mistério. E, claro está, um enorme motivo de satisfação.

Relatório #8

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Caramba, há mais de 10 meses que não escrevia um relatório aqui no blogue. Há razões para isso. Em primeiro lugar, fui submetido a uma cirurgia horrível (litotricia por laser) para dar cabo de um cálculo renal de 11mm alojado no ureter, fruto de uma deficiente hidratação pré e pós-corridas. A recuperação foi lenta e penosa: meses e meses com dores que, felizmente, não me retiraram a minha paixão pela corrida (já lá vou). Em segundo lugar, para além da escrita de dois artigos e na participação de um colóquio (sou cada vez menos fã destes eventos académicos – gosto é de ler, caramba), os preparativos de uma próxima mudança de casa tornaram as últimas semanas um corrupio de cálculos, orçamentos e decisões que nunca são fáceis de tomar.

A tese? Está boazita, obrigado. Após ter dado uma leitura geral e actualizado o documento, vou em plena redacção do quinto (e penúltimo) capítulo e já vejo uma luzita jeitosa ao fundo do túnel. Dos cinco casos de estudos, já despachei três (e logo os mais difícieis). Neste momento, falta-me abordar mais dois casos (ou apenas um, pois ainda não sei se se justifica o quarto) e, claro, o capítulo final, isto é, a conclusão. Deve ser difícil ter uma primeira versão completa da tese até ao final do ano, mas penso que a coisa não passa de Janeiro. Escrever isto até me faz tremer os dedos: o final desta odisseia nunca me pareceu tão próximo.

A partir de agora podem começar a tratar-me por “maratonista”. É verdade, consegui finalmente: uma maratona está no papo. Participei e concluí no passado dia 28 de Outubro a 9.ª edição da Maratona do Porto. Não me perguntem como, que não sei. Para além de estar longe do meu pico de forma (estive engripado nas duas semanas anteriores à prova), estava uma ventania descomunal no dia da maratona. Contei com a ajuda de um bacano chamado Miguel Paiva (que correu ao meu lado) e da minha querida Manela que, a partir do km 30, nos acompanhou de bicicleta com água e mantimentos após ter feito os 16km da Family Race. Terminei em 4h46m35s (média de 6m44s por km), tempo modesto mas o grande objectivo era mesmo chegar ao fim. Se até ao km 32 as coisas correram de forma mais ou menos prevista no ritmo conservador que tinha definido (6m15s por km), depois é que foram elas. O famigerado “muro” existe mesmo e percebi-o de duas formas: no meu joelho esquerdo que estoirou e em dores lancinantes na zona da anca que se fizeram sentir dois últimos quilómetros da prova. Mas nada, absolutamente nada, foi comparável à inacreditável alegria de ter conseguido terminado aqueles 42.520 metros (segundo o meu Garmin). Percebi também que uma maratona não termina quando se cruza a meta, mas que se prolonga nos dias seguintes: febre e dores musculares que acolhi como se fossem medalhas da minha inacreditável façanha. Em Abril, talvez me meta noutra. A ver.

A corrida e a investigação sempre foram, para mim, duas faces da mesma moeda. Comecei a correr praticamente quando me meti no doutoramento e foi ao longo das corridas que resolvi muitos dos problemas com que me fui deparando ao longo da tese. Quando criei este blogue, apontei de imediato esta relação simbiótica, pelo que não me surpreende nada que tenha conseguido correr a minha primeira maratona no preciso momento em que a escrita da tese se aproxima do fim.

Relatório #7

Há cerca de meio-ano que não publicava aqui um relatório. A ideia desta série mensal de posts, para além de dar conta dos progressos da escrita da tese, era sobretudo auto-disciplinadora: todos os meses, sentia-me forçado a fazer alguma coisa na investigação de forma a ter matéria para referir em cada um dos posts. O que aconteceu nos últimos seis meses é que a redacção da tese entrou numa fase vertiginosa: escrevi cerca de 150 páginas e, neste momento, terei cerca de 75% do trabalho concluído. Podem espreitar o índice da tese aqui: já tenho 4 dos 6 capítulos concluídos, faltando-me “apenas” o capítulo dedicado aos casos de estudo e a conclusão (a vermelho). O título da tese também sofreu mais uma alteração (penso que será a última) e agora dá-se pelo nome de A convergência dos vídeos musicais na Web Social: Conceptualização e Análise. Catita.

Nos próximos dois meses, no entanto, as coisas vão andar praticamente paradas no que diz respeito à redacção da tese. Tenho dois artigos para escrever em Inglês e ainda algumas tarefas a levar a cabo na Lyra ComPoetics (reformulação do portal, desenvolvimento da linha de investigação Metalyra e supervisão da criação de uma revista electrónica), pelo que, se tudo correr bem, prevejo dedicar-me ao 5.º capítulo só lá para Junho e conclui-lo antes de Agosto de forma a partir de férias com uma leveza de pluma na alma. A ver vamos.

Relatório #6


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1) Não há muito a acrescentar em relação ao último relatório: continuo a trabalhar na MetaLyra (uma nova linha/corda de investigação do Lyra ComPoetics) e já comecei a preparar a minha ida ao The Image Conference. Mas a verdade, verdadinha, é que as férias estão aí e o cansaço acumulado não me irá permitir grandes voos na investigação ao longo das próximas semanas. Por isso, é expectável que o blogue entre em hibernação até ao final de Agosto. Não vai custar nada.

2) As corridas. Já vou na sexta semana de treinos rumo à Maratona do Porto. As primeiras semanas foram duríssimas: até já estava habituado a correr distâncias mais longas, mas não de forma tão intensa (um dia de repouso por semana) e o corpo sentiu o esforço. Agora, apesar do número de km estar a aumentar cada vez mais, sinto-me progressivamente melhor e com o ânimo bem alto. Tenho conseguido cumprir o plano a 100% e, na verdade, dos 30 treinos já realizados apenas recordo de um em que, realmente, não me apeteceu fazer (num final de tarde com rajadas fortíssimas). Tenho vindo a ultrapassar algumas marcas pessoais de km percorridos tanto semanalmente (73 km) como mensalmente (265 km). Continuo expectante e moderamente confiante. E começo a perceber o que me têm dito alguns corredores mais experientes: numa maratona, o difícil é cumprir os treinos de preparação; o dia da corrida não passa(rá) de uma mera e alegre formalidade. Tá bem, abelha.