faina videomusical #31

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Action Bronson: «Easy Rider» (real. Tom Gould)

Não é por acaso que que os fabulosos 4 episódios de Fuck, That’s Delicious! já somam cerca de 2 milhões de visualizações no YouTube: Action Bronson é senhor de uma das figuras e personalidades mais magnéticas não apenas da música urbana mas da própria rede. E esta é, provavelmente, a primeira vez que um vídeo musical consegue estar à altura do seu génio de letrista, conversador e MC. Tudo graças a uma fabulosa homenagem a uma série de clássicos do cinema norte-americano (Easy Rider, Natural Born Killers, Kill Bill, etc.) que se dá ao luxo de terminar com a encenação de um solo de guitarra digno da chuva de Novembro.

The New Pornographers: «War on the East Coast» (real. Thom Glunt)

Que maravilha ver a figura esquiva de Dan Bejar (outra vez) num vídeo musical. Adoro o pormenor de ser AC Newman a mimar as palavras cantadas pelo Bejar, na medida em que torna mais visível o artifício do lip-sync no formato. E tudo num único take.

Xungaria no Céu: «P’ra Cima» (real. Pedro Lourenço)

Se há coisa previsível no panorama videomusical nacional é que podemos sempre contar com a malta da FlorCaveira para nos oferecer grandes “telediscos”. Desta vez, o mérito vai todo para o Pedro Lourenço que já tinha assinado a belíssima capa do disco de estreia deste super-grupo (e da do mais recente livro do Tiago Cavaco). Fico sempre muito parvo com o talento desta malta.

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faina videomusical #30

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DyE (ft. Egyptian Lover): «She’s Bad» (real. Dent de Cuir)

Quando pensava que o chroma-key já tinha dado tudo o que tinha para dar, eis que surge isto. Fabuloso.

Woodkid: «The Golden Age» (real. Yoann Lemoine)

Apesar de não ser, de facto, um fã dos Woodkid, é inegável que o trabalho videográfico que Yoann Lemoine desenvolveu para o seu próprio projecto musical é um dos mais espectaculares que invadiram a rede nos últimos anos (os mais distraídos e desconfiados podem tirar tudo a limpo aqui, aqui e aqui). O mais recente e derradeiro vídeo para o seu disco de estreia é mesmo capaz de ser a sua obra-prima.

Foxygen: «How Can You Really?» (real. Grant Singer)

O primeiro trabalho a sério que tive foi em 1994 num “open space” muito parecido com o que serve de cenário para o fabuloso novo vídeo retro-pop dos Foxygen. Mas o mais incrível é o facto de ter sido precisamente nesse ambiente de trabalho que um colega me apresentou a música de Todd Rundgren, cujo cancioneiro inclui um tema que é muito parecido com o single da dupla californiana. Ou seja: era mesmo impossível não adorar isto.

Janelle Monáe: «Electric Lady» (real. Alan Ferguson)

Só mesmo esta miúda para fazer um tão descarado product placement uma cena cool.

Batida: «Pobre e Rico» (real. Pedro Coquenão)

O DIY em todo o seu esplendor: «Como fazer um vídeo “Pobre e Rico? Assumir o espaço onde faço quase tudo, como cenário real e viável. Limpar o chão da rua. Esperar que a iluminação pública se apague. Iluminar com candeeiro próprio. Filmar com câmara acabada de chegar, cheia de pó do Sambizanga. Usar coreografia e vídeo criados para a performance ao vivo. Juntar adereços sem custo: 2 chinelas do MPLA.» (Pedro Coquenão)

Digitalism (ft. Youngblood Hawke): «Wolves» (real. Nelson de Castro)

Beauty is in the eye of the beholder. Literally.

faina videomusical #29

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Sturgill Simpson: «Turtles All the Way Down» (real. Graham Uleski)

Há tanta coisa fabulosa neste objecto videomusical. Começo pelo título que, de imediato, me fez lembrar a marcante leitura que fiz há mais de duas décadas de Uma Breve História do Tempo de Stephen Hawking (Gradiva, 1988). O parágrafo que abre o primeiro capítulo da obra conta a seguinte história:

Um conhecido homem de ciência (segundo as más línguas, Bertrand Russel) deu uma vez uma conferência sobre astronomia […] No fim da conferência, uma velhinha, no fundo da sala, levantou-se e disse: «O que o senhor nos disse é um disparate. O mundo não passa de um prato achatado equilibrado nas costas de uma tartaruga gigante». O cientista sorriu com ar superior e retorquiu com outra pergunta: «E onde se apoia a tartaruga?» A velhinha então exclamou: «Você é um jovem muito inteligente, mas são tudo tartarugas por aí abaixo!» (p. 17)

É de resto o próprio Sturgill Simpson que cauciona a origem do título do tema numa entrevista ao portal do npr:

I expected to be labeled the “acid country guy,” but it’s not something I dwell on. I would urge anyone that gets hung up on the song being about drugs to give another listen … to me “Turtles” is about giving your heart to love and treating everyone with compassion and respect no matter what you do or don’t believe. The cosmic turtle is from a much quoted story found in publications throughout modern physics and philosophy, even ancient theology, that now essentially serves as a comedic picture or expression of a much grander idea.

The video is a tightly budgeted attempt to capture or represent a visual simulation of that idea. After some correspondence with Dr. Strassman and Andrew Stone at http://www.cottonwoodresearch.org I was introduced to visionary software artist Scott Draves, creator of Electric Sheep. After a few emails and hearing the music, Scott was generous enough to offer his assistance with the project. A friend of mine, Dex Palmer, knew some pretty tech-savvy kids at Cineshot Productions that I enlisted for the chore of filming and editing this thing. (fonte)

A componente visual do vídeo opera de forma análoga à letra e à música da canção: parte do subgénero mais clássico do vídeo musical de música country (o vídeo performativo) e acrescenta-lhe elementos solidários com a fascinante componente de ficção científica que trespassa toda a espessura do tema. Uma maravilha.

FKA twigs: «Two Weeks» (real. Nabil)

Uma versão feminina do fabuloso vídeo que Marco Brambillia engendrou para Kanye West pela sempre dotada mão de Nabil. Sinal dos tempos: apesar de o disco de estreia de FKA twigs apenas sair no próximo mês de Agosto, este já é o seu décimo segundo vídeo oficial. E alguns deles não ficam nada atrás deste último.

School Of Seven Bells: «I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)» (real. Tony Halbrooks & Alan Del Rio Ortiz)

Quando li a descrição do vídeo no YouTube, fiquei logo de pé atrás (abomino a necrofilia e o excesso de pathos):

School of Seven Bells is pleased to announce the official video for the track ‘I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)’ originally by Joey Ramone. Throughout 2013, producer and guitarist Benjamin Curtis had been battling T-cell Lymphoblastic Lymphoma. Recording in its entirety on his laptop from his hospital bed in NYC, ‘I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)’ is Benjamin’s final recording before passing on December 29, 2013. Directors and long time friends of the group, Toby Halbrooks and Alan Del Rio Ortiz, created this visually stunning piece. Revolving around a cross-country road trip stopping in Indio and Joshua Tree, the video celebrates life while displaying its cyclical and inexplicable properties.

Agora que já o vi, percebo que os meus receios eram infundados. Meninas e meninos, eis aquele que é, até agora, o meu vídeo musical favorito de ano.

faina videomusical #28

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Isto hoje vai aos pares. Um par de pares.

Kiesza: «Hideaway» (real. Kiesza, Ljuba Castot e Rami Samir Afuni)
Sia: «Chandelier» (real. Sia & Daniel Askill)

Quando trabalhava para a MTV andava sempre atento ao mainstream. Agora, nem por isso. Mas faço mal, como é óbvio, e estes dois vídeos (ambos com cerca de 30 milhões de visualizações e com trilhas sonoras que chegaram ao topo das tabelas de venda do Reino Unido e dos Estados Unidos, respectivamente) estão aí para demonstrar mais uma vez porquê. Acho particularmente piada à coincidência suplementar de ambos serem vídeos performativos magnificamente coreografados e executados.

Mastodon: «High Road» (real. Roboshobo)
Throne: «Tharsis Sleeps» (real. Nicos Livesey)

Só o formato videomusical para conseguir conjugar o heavy metal com nerds e bordados (poderão encontrar mais detalhes sobre a genuína empreitada do segundo vídeo aqui).

faina videomusical #27

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Mac DeMarco: «Passing Out Pieces» (real. Pierce McGarry)

O vernacular e o DIY em todo o seu esplendor. Nunca houve nada deste calibre no tempo da MTV.

Kool A.D.: «Word» (real. Kool A.D. & Teddy O’Connor)

O vernacular e o DIY em todo o seu esplendor (reprise). Os desenhos são da autoria do rapper. Outro que jamais passaria na televisão musical.

Kimbra: «90s Music» (real. Justin Francis)

Talvez o mais sublime exemplo da influência do imaginário da K-Pop no universo videomusical. E esta canção vai longe.

Capicua: «Vayorken» (real. Artur Caiano)

Ainda estamos em Junho, eu sei, mas não estou a ver como é que pode haver outra vídeo tuga este ano que consiga superar esta absoluta maravilha de bom-gosto e contenção, na qual a citação jamais é gratuita, mas sim cirúrgica e eloquente. Se somarmos a esta pequena obra-prima os dois vídeos anteriores, torna-se bastante evidente que a Capicua é, actualmente, a artista nacional que melhor percebeu a importância do formato videomusical na emergente paisagem mediática digital.