Dados videomusicais 2013

No preciso momento em que estou a dar os últimos retoques na minha tese de doutoramento (coisa para ficar fechada esta semana), acabam de sair alguns dados vertiginosos sobre o consumo videomusical digital em 2013.

O número de Março da edição norte-americana da revista Wired inclui, nas páginas 86 e 87, uma infografia (indisponível na edição online da rubrica How To Find Music, mas podem consultar um snapshot que tirei do mesmo a partir da versão iPad aqui) em que se refere que em 2013 foram visualizados mais de 400 mil milhões de vídeos musicais no YouTube. Apesar de saber que a Google Inc tem sempre muita parcimónia em libertar este tipo de dados, a verdade é que me causa alguma perplexidade o facto de não ter encontrado (à excepção deste tweet) qualquer outra referência a este número na Web. Já entrei em contacto com a Wired para saber onde foram sacar esta informação e aguardo pacientemente uma resposta. O número é, de facto, impressionante e demonstra bem a furiosa popularidade do formato.

Uma potencial indicação da verosimilhança deste dado astronómico pode ser encontrada nesta notícia da Bloomberg, onde se refere que 55 mil milhões de vídeos musicais foram visualizados o ano passado no Vevo (como sabem, aqui em Portugal, o Vevo não está disponível e resume-se a um mero canal do YouTube). Ora, este ratio de 13,75% do Vevo sobre o total dos vídeos musicais visualizados no YouTube sounds just about right to me, apesar de estar convencido que a importância do Vevo ainda assim está infeccionada devido à forma conservadora com que o YouTube considera o que é um vídeo musical: apenas os vídeos musicais oficialmente reconhecidos pelas respectivas bandas e/ou editoras.

Ou seja: o Pandora, o IHeartRadio, o Grooveshark, o Spotify, o Slacker e o Rhapsody estão longe, muito longe, de fazer sombra ao YouTube no domínio do consumo (video)musical na rede.

O consumidor digital (dados da Nielson para o mercado norte-americano)

digitalcons

Já está no sítio do costume mais uma entrada relativa ao relatório acabadinho de lançar pela Nielsen intitulado The Digital Consumer e que, como o próprio nome indica, procura traçar o perfil do consumidor digital norte-americano.
Os meus destaques são os seguintes:

  • Os utilizadores de smartphones dos EUA gastam 86% do seu tempo em apps e apenas 14% num browser de acesso à Web;
  • O utilizadores dos EUA gastam, em média, 6 horas e 41 minutos por mês a ver vídeo por mês (cerca de 14 minutos por dia);
  • A música foi o terceiro tópico mais tweetado na Web em 2013 pelos utilizadores dos EUA (a seguir aos reality shows e às séries de TV);
  • Os MTV Video Music Awards foram o segundo evento mais tweetado de 2013 pelos utilizadores dos EUA.

O que continua a deixar-me abismado é o facto de a Nielsen continuar a não incluir o YouTube nos dados relativos às redes sociais (afinal de contas, o portal é a segunda maior rede social a seguir ao facebook). Mistério.

Práticas digitais de fruição musical (infográfico)

Acrescentei no sítio do costume um infográfico da autoria da Sol Republic (fabricante de auscultadores) que congrega dados quantitativos oriundos de diversas fontes. É preciso ter cuidado com os valores apresentados pois misturam diversos mercados (Irlanda, Estados Unidos, México, Itália, etc.) e anos (2012 e primeiro semestre de 2013) e tal não é explicitamente referido no gráfico. Com esta devida ressalva, eis o que me interessa particularmente (edição minha):

grafmus13

O YouTube (65%) é, sem grande surpresa, a plataforma que lidera os hábitos de fruição musical dos nativos digitais, à frente da rádio (56%), do iTunes (53%) e do CD (50%) e a motivação para a aquisição de música é liderada pela recomendação inter-pares (54%), seguida pela feita por blogues musicais (25%) e por marcas (12%). It’s a brand new world, indeed.

Da TV para a Web: dados quantitativos da migração do formato videomusical

Acrescentei no sítio do costume dados quantitativos importantes que vêm colmatar uma lacuna da minha investigação. Se a convergência do formato videomusical para a Web Social é uma realidade facilmente comprovada por diversos estudos incluídos na mesma página do blogue, a verdade é que me faltavam dados quantitativos que comprovassem a fuga do formato do seu outrora quase exclusivo medium: a televisão musical.

Pois bem, um gráfico comparativo do número de vídeos musicais transmitidos pela televisão musical norte-americana (MTV, Black Entertainment Television, Country Music Television e VH1) reproduzido pela Time a partir de dados da Nielsen vem precisamente confirmar a premissa:

mvcable

No espaço de 13 anos, a quota do formato videomusical desceu mais de 62%, o que comprova que a convergência para as plataformas digitais se assemelha (e muito) a um movimento migratório da TV para a Web.

Nota

Mais alterações silenciosas e pouco visíveis no blogue. Acrescentei uma página relativa a alguns elementos da amostra teórica da investigação (que está listada aqui).

Como já referi aqui inúmeras vezes, um dos objectivos deste blogue é tornar mais cómoda a leitura de um documento impresso em papel (tese) com constantes remissões para vídeos musicais alojados na Web. Ora esta nova página destina-se sobretudo aos leitores do referido documento que encontrarão lá listados e hiperligados todos os vídeos referidos ao longo do capítulo IV intitulado Novas Tendências da Videomusicalidade: a sua visualização fica assim doravante à distância de um mero clique. Esta página vem igualmente complementar a anterior dedicada aos casos de estudo (capítulo V).

E com isto penso ter concluído a inserção de toda a informação e de todas as ferramentas de visualização que queria munir a página do blogue dedicada ao design de investigação. Foi um trabalho chato, longo e, para já, ingrato. Espero que quem venha ler a tese no futuro (arguentes e não só) saiba tirar proveito de todas as suas funcionalidades.

Amostra teórica