Novo vídeo dos Ok Go (at last!)

O projecto musical paradigmático da convergência do formato videomusical para a rede está de volta: relembro que, para este quarteto, tudo começou em 2005 com um vídeo musical caseiro que foi pioneiro na difusão interpessoal e em grande escala do formato à margem da televisão musical, recorrendo para isso a uma interface das plataformas digitais (o e-mail). Poucos meses após o lançamento oficial do YouTube, o portal já tinha encontrado as suas primeiras estrelas, cuja popularidade era legitimada pela difusão operada pelos próprios membros da sua comunidade: os Ok Go.

Na minha tese, a videografia da banda ocupa um lugar de destaque no capítulo dedicado aos casos de estudos, pelo que desde 2012 que andava curioso para saber se o próximo vídeo da banda respeitaria a fórmula hipertextual que identifiquei na videografia deles.

E não é que respeita mesmo?

Figure 01. Architextual formula of Ok Go music videography

.
O novo vídeo dos Ok Go é, mais uma vez, coreográfico, os protagonistas são os elementos da banda, tem lip-sync, não recorre a efeitos especiais e é filmado num longo plano-sequência (num único take). O elemento conceptual que a banda foi buscar para diferenciar este vídeo da série são as ilusões ópticas anamórficas, que, não por acaso, tem sido uma categoria super-popular de vídeos no YouTube: este, por exemplo, já soma mais de 20 milhões de visualizações e uma simples pesquisa no portal devolve cerca de 200 mil resultados. Desta forma, posso completar o meu quadro original com o novo vídeo da banda (2014):

screenshot_03

Na realidade, o novo vídeo dos Ok Go parece uma (fascinante) variação de um dos vídeos anteriores da banda, repetindo inclusivamente o seu final – reparem como se aplica na perfeição a este vídeo as considerações que teço na tese sobre o desenlace da segunda versão de This Too Shall Pass:

Não é por acaso que numa das suas sequências finais é bem visível e audível o contentamento manifestado por toda a equipa responsável pela concepção do vídeo (3’35”-3’39). Bem pelo contrário, estas imagens cumprem uma dupla função: não se trata apenas de se mostrar que o projecto foi levado a bom porto […], mas que a alegria e o prazer dos seus criadores é em tudo identificável com a que aguarda os seus potenciais fruidores (e difusores).

Bate tudo certinho, não é? Em vésperas da defesa da minha tese, escusado será dizer que a saída deste novo vídeo dos Ok Go veio mesmo a calhar. Podem aceder a uma pequena reportagem sobre o vídeo aqui.

ADENDA

Já o ano passado, os Ok GO escolheram como vencedor de um passatempo, o vídeo musical de um fã que não apenas respeitava intuitivamente a quase totalidade da fórmula hipertextual que identifiquei na videografia da banda, como promovia a elemento conceptual diferenciador a desconstrução da sua única fuga, isto é, a utilização do mais popular efeito especial do formato videomusical: o bendito chroma-key.

Pintarolas.

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